sábado, 7 de outubro de 2017

Absorta



Descreva-se,

Nos detalhes mínimos a quem interessar possa,

Com as sinuosidades de uma pessoa completa em sua incompletude,
Incompleta em sua plenitude.

Diga tudo que esteja escondido de você mesma
E que nem mesmos seus mais sublimes e escusos pensamentos ousaram revelar.

Mostre-se,
Disponível, perfeita, linda, submissa no limite dos padrões, que agrade machistas e feministas
Todos, menos você...

Dispa-se

De todas as suas dores, amores e convicções
Fique e permaneça nua, prostrada e chore todas as lágrimas escondidas,
Reprimidas que gritam dos grilhões em que foram aprisionadas por você
E seus algozes.

Permita-se

Sinta-se

Odeie-se

Como a mais perversa das criaturas
Como você mesma
Mesquinha, errada, asquerosa e traiçoeira
Maldita seja você e seu coração.
Seus sentimentos egoístas
Seu eu superior
Derrama fel venenoso
Que lhe mata sem saber.


Pobre, se esquece ou nem sabe o que é de verdade.