sábado, 31 de agosto de 2013

" Não sinta, a escolha é minha"

Confesso que essa frase abalou minhas estruturas físicas e psicológicas quando a li no livro " Como Eu Era Antes de Você" de Jojo Moyers, Editora Intrínseca.



O livro conta a história muito delicada e sensível do executivo William. Um homem vívido, altivo, desafiador dos seus limites físicos, praticante de esportes radicais, que num rompante cruel da vida, é atropelado e torna-se tetraplégico. Imagina-se que a revolta é iminente e intrínseca a sua situação, a mudança é drástica demais e cruel, logicamente. 

Mas uma luz surge na vida de Will, ou seria ele a luz na vida de Louise?

Ela, uma mulher sem expectativas na vida, perdeu o emprego de anos numa cafeteria de uma cidadezinha pequena da Inglaterra, num namoro enfadonho de sete anos, recebe uma proposta para ser cuidadora. Reluta a principio, mas sem outra grande possibilidade, e vendo a família passando por dificuldades, aceita o novo emprego.

E o que surge desse encontro de almas e vidas transformam a todos que o cercam, e a mim, que li esse grande romance.

Eles se apaixonam, Louise finalmente se transforma em um grande mulher, mas para Will o amor não é o suficiente para mantê-lo ou torna-lo o homem que ele foi um dia. Louise tem o prazo de seis meses para que ele queira viver, já que Will vai para o Dignitas, uma instituição suíça que permite uma morte assistida, ou "suicídio assistido", o que considero mais plausível para nomear.

Inicialmente a frase que deu título a esse texto me feriu de uma maneira estranha, quis muito chorar lendo o livro, na eminência de ler tal frase, a situação presente ali me deixava desconfortável, quase sufocada, já que não concordo com os motivos do personagem em querer morrer. Mas quando a li, quando Will diz isso a Lou ( ou a mim, Lú) engoli meu choro, e mais do que isso, tal escolha me despertou a minha escolha, eu escolho sempre viver, da melhor maneira possível, da forma que eu achar melhor, porque essa vida me foi dada, algum valor eu tenho para ter a escolha de desfruta-la, buscar meus direitos, meus sonhos, minhas grandes ambições, meus possíveis amores e dessabores.

Vou recomendar, com muito gosto, a leitura desse romance, à leitores devoradores como eu, ou a novos e tímidos leitores, afinal a grande escolha é sempre individual, e SUA.