sábado, 7 de outubro de 2017

Absorta



Descreva-se,

Nos detalhes mínimos a quem interessar possa,

Com as sinuosidades de uma pessoa completa em sua incompletude,
Incompleta em sua plenitude.

Diga tudo que esteja escondido de você mesma
E que nem mesmos seus mais sublimes e escusos pensamentos ousaram revelar.

Mostre-se,
Disponível, perfeita, linda, submissa no limite dos padrões, que agrade machistas e feministas
Todos, menos você...

Dispa-se

De todas as suas dores, amores e convicções
Fique e permaneça nua, prostrada e chore todas as lágrimas escondidas,
Reprimidas que gritam dos grilhões em que foram aprisionadas por você
E seus algozes.

Permita-se

Sinta-se

Odeie-se

Como a mais perversa das criaturas
Como você mesma
Mesquinha, errada, asquerosa e traiçoeira
Maldita seja você e seu coração.
Seus sentimentos egoístas
Seu eu superior
Derrama fel venenoso
Que lhe mata sem saber.


Pobre, se esquece ou nem sabe o que é de verdade.

sábado, 23 de agosto de 2014

O que é seu de verdade...


O que te pertence?

O que é seu e ninguém nunca poderá tirar?

É impressionante como temos medo de perder o que é nosso. Será que é mesmo nosso?

Como só notamos que algo era nosso quando o perdemos?...




O sentir perder chega a parecer uma dor física, quase um soco no estomago, que te deixa zonzo, sem ar, entorpecido no sofrimento que se auto aplicou.

Sim, se auto aplicou porque se o sentimento é de perca, estava em nossa posse.

Mas ao mesmo tempo a possessividade é auto destrutiva. Estabelecemos um ponto de ligação aqui.




Nada realmente é seu, não é unicamente ou permanentemente parte de você. Em algum momento da sua existência coisas importantes serão perdidas no caminho deixando em seu lugar um imenso vazio, e em algum momento essas mesmas coisas serão esquecidas, deixadas para traz, virando lembranças boas ou ruins de um tempo e de uma vida que não lhe pertence mais.




Tudo é lembrança, é passagem, é experiência, é ensinamento, é Vida.

sábado, 9 de novembro de 2013

Transformação

Como seria poderoso transformar algo ruim, devastador, traumático, feio... no oposto disso tudo.

Tristeza em felicidade
Ódio em amor
Sofrimento em conforto, aconchego...

Transformar é algo tão imensurável...tão complexo...e surpreendente...que poderia ser algo difícil de se imaginar possível, mas incrivelmente não o é. E também não é um esforço imenso, mesmo não sendo algo simples de se fazer.

Observe o processo de mutação de uma borboleta. Todo seu período entre ser lagarta, casulo até finalmente se tornar um ser tão frágil, belo e livre. Quantos perigos nosso objeto de observação, não enfrenta? Quantos obstáculos ela tem que percorrer, derrubar?



Assim acontece com o ser humano. Com você.

Há diversas barreiras ao longo desse caminho, mas essa transformação é naturalmente implícita ao ser. Como animal pensante ainda tem-se vantagens enormes, que quase sempre não valoriza-se, apesar de que pode-se ser um grande inimigo o fato de raciocinar, ou racionalizar tudo, nem sempre da maneira que se deve. Cabe a cada um tornar essa transformação, também uma viagem por quem você é, e quem você quer se tornar, se transformar.

Quer ser também borboleta? 
Lute enquanto lagarta, observe e aprenda enquanto casulo.

domingo, 29 de setembro de 2013

Abra bem os seus olhos...

O que você vê quando se olha no espelho?

Você se olha no espelho?

Você realmente já se enxergou além de apenas se ver?

O que você...o que eu sou além do que o espelho nos mostra?




Eu não sou só isso, eu não sou tudo isso. Eu sou um vulcão prestes a entrar em erupção...
Eu sou um rio calmo, perene, constante...

Talvez não seja...

Talvez não consiga me enxergar como realmente sou, talvez não me permita isso, talvez não me permitam.

Vou começar a me olhar no espelho...o da Alma.



sábado, 7 de setembro de 2013

Reino Mulher - A fábula feminina.

O que te torna mais apto, adaptável a vida?

Há anseios humanos de ser, assim como um camaleão; disfarçável, passível de entrar e compartilhar ambientes com seu pior inimigo, ou seu amor maior. Mas numa ótica singular, querer ser um camaleão, faz-se entender um certo medo, fuga de sua real aparência, real intenção; Adaptável, mesmo assim invisível...,solitário...

A cigarra então?! Talvez uma melhor analogia, barulhenta, ensurdecedora, perceptível a longas distâncias, não há como não se fazer nota-la. Mas em minha visão "quase" sempre anarquista, penso que é tão ou pior em solidão quanto o camaleão. "- Ouço você minha querida amiga cigarra, em sua linda sonata, mas onde você está? Quero cumprimenta-la, abraça-la, da-lhe os parabéns...Onde você está? Perto? Longe?"
- Apenas só...



Os animais e suas fábulas... comparações, sempre foram uma alternativa, uma brincadeira boa e boba. Quem nunca em conversas despretensiosas, e nas pretensiosas também, não se nomeou uma leoa (o), ou uma camaleoa (o)...Um disfarce a nossa face chata, e previsível de todos os dias.

Sou todas e sou nenhuma, sou imprevisível e ensurdecedora, invisível e inverossímil, sou o reino animal inteiro, o reino mulher. Sou eu, sou você.

domingo, 1 de setembro de 2013

O que te move?!

O que me faz querer muito algo?
O que te faz querer muito alguma coisa?



A vontade que brota de fazer algo dito impossível apenas pelo fato de assim sê-lo... O impulso de mudar o que é constante e enfadonho...A vida em mudança ininterrupta a sua volta... A sua necessidade em mudar algo que não deve permanecer...

São motivos cabíveis, quase sempre os principais, se não todos eles juntos com mais ou menos intensidade,  mas incrivelmente, não sabemos quando nos movemos, que são esses motivos que farão querermos o que queremos agora. Nesse momento de minha vida, pode talvez nem ser nenhuma dessas alternativas apresentadas o que me faz mover, querer mudar minha mente... meu corpo... e minha vida.

Há muito pouco tempo atras, tudo me parecia no lugar, arrumado, organizado, sem necessidade de nenhum ajuste. Hoje, vejo como se tudo estivesse bagunçado, como se sempre estivesse assim, e eu permanecia com os olhos e a mente cerrada para enxergar.

Preciso colocar tudo onde deve estar, da maneira que sempre deveria ter sido. Essa arrumação (drástica) vai ser feita, da melhor maneira que eu consigo fazer.

sábado, 31 de agosto de 2013

" Não sinta, a escolha é minha"

Confesso que essa frase abalou minhas estruturas físicas e psicológicas quando a li no livro " Como Eu Era Antes de Você" de Jojo Moyers, Editora Intrínseca.



O livro conta a história muito delicada e sensível do executivo William. Um homem vívido, altivo, desafiador dos seus limites físicos, praticante de esportes radicais, que num rompante cruel da vida, é atropelado e torna-se tetraplégico. Imagina-se que a revolta é iminente e intrínseca a sua situação, a mudança é drástica demais e cruel, logicamente. 

Mas uma luz surge na vida de Will, ou seria ele a luz na vida de Louise?

Ela, uma mulher sem expectativas na vida, perdeu o emprego de anos numa cafeteria de uma cidadezinha pequena da Inglaterra, num namoro enfadonho de sete anos, recebe uma proposta para ser cuidadora. Reluta a principio, mas sem outra grande possibilidade, e vendo a família passando por dificuldades, aceita o novo emprego.

E o que surge desse encontro de almas e vidas transformam a todos que o cercam, e a mim, que li esse grande romance.

Eles se apaixonam, Louise finalmente se transforma em um grande mulher, mas para Will o amor não é o suficiente para mantê-lo ou torna-lo o homem que ele foi um dia. Louise tem o prazo de seis meses para que ele queira viver, já que Will vai para o Dignitas, uma instituição suíça que permite uma morte assistida, ou "suicídio assistido", o que considero mais plausível para nomear.

Inicialmente a frase que deu título a esse texto me feriu de uma maneira estranha, quis muito chorar lendo o livro, na eminência de ler tal frase, a situação presente ali me deixava desconfortável, quase sufocada, já que não concordo com os motivos do personagem em querer morrer. Mas quando a li, quando Will diz isso a Lou ( ou a mim, Lú) engoli meu choro, e mais do que isso, tal escolha me despertou a minha escolha, eu escolho sempre viver, da melhor maneira possível, da forma que eu achar melhor, porque essa vida me foi dada, algum valor eu tenho para ter a escolha de desfruta-la, buscar meus direitos, meus sonhos, minhas grandes ambições, meus possíveis amores e dessabores.

Vou recomendar, com muito gosto, a leitura desse romance, à leitores devoradores como eu, ou a novos e tímidos leitores, afinal a grande escolha é sempre individual, e SUA.